Uma ofensiva inédita de movimentos da comunidade de Novo
Hamburgo e projetos públicos está tendo uma contribuição efetiva para preservar
vidas no município. Um dos dados a serem salientados é a redução do número de
homicídios: de janeiro até o começo desta semana (primeiro semestre de 2016),
foram 26 assassinatos registrados, contra 50 em igual período do ano passado. É
diminuição de 50% no número de assassinatos – números oficiais da Secretaria Estadual da Segurança Pública. Cabe lembrar que de 2014 para 2015 já
tinha ocorrido redução de 10% nos homicídios em Novo Hamburgo. É um avanço em
termos de combate à violência.
O que pode explicar essa significativa redução no número de
homicídios? Uma das principais explicações reside numa inédita ofensiva de
movimentos da comunidade hamburguense e projetos públicos viabilizados pela
Prefeitura de Novo Hamburgo. A coordenadora do Movimento #PAZ, Andrea
Schneider, comemora as vidas preservadas. “Temos que caminhar unidos. Essa é a
chave do que estamos propondo há mais de dois anos. A integração entre a
comunidade e as diferentes forças policiais está funcionando”, destaca. “Temos
profissionais da segurança pública com muita competência no município. Existe
um esforço muito grande para combater a criminalidade”, confirma.
O #PAZ vem realizando uma série de ações que conseguiram
trazer resultados efetivos. Um dos mais conhecidos é a luta para vigilância no
Instituto Penal de Novo Hamburgo, evitando fugas de presos do semiaberto. Outro
movimento importante foi a criação do Portal da Vigilância Cidadã, onde as
pessoas registram ocorrências que servirão de referência para complementar
dados oficiais. Já nesta semana, o grupo promoveu o Seminário Sou da Paz, com
mais de 200 mulheres presentes. Hoje, o #PAZ já está presente em São Leopoldo
difundindo práticas exitosas em Novo Hamburgo. “Estamos conseguindo mostrar pra
comunidade que existe, sim, um caminho pra termos um futuro mais seguro. E a
comunidade entendeu que precisa participar ativamente”, completa.
Outro movimento que se soma no combate à violência é o
Observatório de Segurança Cidadã. Esse trabalho, contratado pela Prefeitura
numa contrapartida a empréstimo de US$ 23 milhões feito pela Prefeitura junto
ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), busca qualificar a gestão da
informação, levando dados mais preciso até as forças policiais. “Segurança
pública se faz com prevenção social às violências e repressão qualificada aos
crimes. Quando o município se envolve na temática da segurança é possível
reverter as tendências de crescimento das violências”, destaca a coordenadora
técnica do Observatório, Aline Kerber.
Ela destaca que, no primeiro trimestre de 2016 houve redução
de 100% no número de latrocínios em Novo Hamburgo na comparação com igual
período de 2015. É sempre bom lembrar que, no ano passado, Novo Hamburgo chegou
a liderar em termos de taxas este delito (roubo seguido de morte) no Rio Grande
do Sul”, salienta. O Observatório não se sente o grande responsável por estas
reduções, mas considera que as ferramentas que estão sendo trabalhadas são fundamentais
para o combate à violência. “De setembro até maio fizemos 15 reuniões de
Gabinete de Gestão Integrado Municipal (GGI-M) e muito planejamento de ações e
troca de informações aconteceu neste período a partir deste órgão deliberativo
do município que reúne as polícias e as secretarias com poder de polícia
administrativa”, completa.
Entre ações práticas criadas pelo Observatório, estão o ROVE
(Registro Online de Situação de Violências nas Escolas) que já foi implementado
nas 53 Escolas Municipais de Ensino Fundamental. Desde 29 de março, são mais de
335 violências registradas. E outra novidade estabelecida foi a Escola Mais
Segura, com projeto-piloto na Escola Monteiro Lobato. A constar: a instituição
que coordena o Observatório foi contratada por R$ 446 mil e, até hoje, parcela
da comunidade questiona os valores pagos para este trabalho.
Novo Hamburgo está dizendo que, sim, é possível combater a
violência e reduzir a criminalidade. Mesmo com falta de investimentos do governo estadual e a pouca valorização dos profissionais, existe um cenário alentador. O caminho é longo, tortuoso. Mas a redução
de 50% no número de homicídios e a preservação de vidas é um indicativo que
estimula à comunidade a seguir trabalhando unida.
AÇÕES DE COMBATE À VIOLÊNCIA
Movimento #PAZ – Criado em 20 de junho de 2014, após a morte
do empresário Gabriel Rodrigues. Movimento organizado pela sociedade e
chancelado por dezenas de instituições, empresas, clubes, escolas, entre
outros.
Seminário Sou da Paz – Realizado na segunda-feira, reuniu
mais de 200 mulheres e foi promovido pelo Movimento #PAZ.
Portal da Vigilância Cidadã – Idealizado pelo Movimento
#PAZ. O endereço é http://vigilanciacidada.com.br.
Proerd – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à
Violência (Proerd), desenvolvido pela Brigada Militar junto a centenas de
crianças do município.
GGI-M – Gabinete de Gestão Integrada Municipal: Prefeitura, Brigada
Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, Defesa Civil e outros integrantes
Observatório de Segurança de Novo Hamburgo – Centro de
pesquisa social aplicada voltado ao monitoramento das violências e crimes
perpetrados em Novo Hamburgo incidindo na gestão local. Começou a operar no
final do ano passado. Endereço é www.osdc.com.br.
Plataforma Cidadã – Plataforma online georreferenciada do
Observatório de Segurança Cidadã de Novo Hamburgo, reunindo com dados
criminais, recursos institucionais, ROVE (Registro Online de Violências nas
Escolas), pesquisa de vitimização, dados de ocorrências da Guarda Municipal e Cartório
de Trânsito e dados sociodemográficos (Censo 2010).
Escola Mais Segura – O projeto prevê a criação de quatro
equipes de ronda para as escolas, que serão compostas por automóvel,
ferramentas de comunicação, rastreador e dois Guardas Municipais, totalizando
oito agentes, que receberão treinamento específico para o trabalho junto às
crianças e aos adolescentes. O projeto-piloto está na Escola Monteiro Lobato.
ROVE – Registro Online de Situação de Violências nas
Escolas, que já foi implementado nas 53 Escolas Municipais de Ensino
Fundamental
Pronasci – Programa Nacional de Segurança Pública com
Cidadania (Pronasci) em Novo Hamburgo
UGPPV – Unidade de Gestão de Programas de Prevenção de
Violências (UGPPV)
Consepro – O Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública de Novo Hamburgo (Consepro-NH)
Forças de segurança – Polícia Civil, Brigada Militar, Guarda
Municipal, Instituto Geral de Perícias (IGP), Corpo de Bombeiros, Superintendência
de Serviços Penitenciários (Susepe) e forças policiais administrativas da
Prefeitura

























