As prioridades da Prefeitura de Novo Hamburgo seguem bem
claras: os milhões para propaganda e publicidade estão assegurados, o resto
pode esperar. Mais um exemplo emblemático foi materializado nesta sexta-feira
(01.07). Em três jornais com circulação no município, a administração do
prefeito Luis Lauermann (PT) despejou encartes com obras realizadas, além de patrocinar
três páginas inteiras da Comusa. Somente nos 60 mil encartes impressos e
incluídos nos veículos, foram mais de R$ 22 mil. Já nas páginas da Comusa,
foram mais de R$ 15 mil. A soma se aproxima de R$ 40 mil. Ou seja, para
propaganda não falta dinheiro. Aliás, o dinheiro que é dos hamburguenses.
No outro lado, fica a comunidade hamburguense. E os casos de
calote se sucedem. Enquanto a Prefeitura não fecha a torneira da publicidade, o
grupo Meninas Cantoras de Novo Hamburgo amarga a falta de recursos. No ano passado
(2015), o vereador Issur Koch (PP) negociou e conseguiu aprovar, juntamente com
o Executivo, o repasse de R$ 30 mil para 12 meses a fim de subsidiar o trabalho
realizado pelo grupo. Tudo dentro da lei e confirmado, inclusive, pelo
ex-secretário da Fazenda e atual diretor-presidente da Fenac, Roque Werlang.
Já estamos em julho de 2016. E nenhum centavo dos R$ 30 mil
foi repassado para as Meninas Cantoras de Novo Hamburgo. O valor está parado na
Secretaria Municipal da Cultura (Secult), que reluta em liberar o valor – a mesma
secretaria liderada por Carlos Mosmann (PT) que represou recursos e permitiu a Fundação Scheffel ter energia
elétrica e telefone cortados. Até agora, os pais estão tendo de bancar o
trabalho do regente e outros cursos operacionais.
As Meninas Cantoras levam o nome do município pelo Estado e
Brasil. A Prefeitura não dá valor a isso, tanto que aplica esse calote de meio
ano. O complicado é que, mesmo com o dinheiro chegando, parte do valor não
poderá ser utilizado – vão criar Notas Fiscais fictícias para justificar gastos
do passado? O Conselho
Municipal de Políticas Culturais de Novo Hamburgo, que teve reeleito como
presidente o escritor Henrique Schneider, precisa se manifestar urgentemente,
até para justificar sua atividade. Já falei pessoalmente com o próprio
Schneider que o Conselho deve ser mais hamburguense e menos partidário. Como aceitar
seis meses de calote de algo estabelecido em lei?
É inaceitável que a Prefeitura siga com a fartura da
publicidade, enquanto deixa abandonado o trabalho das Meninas Cantoras de Novo
Hamburgo.

























