NOVO HAMBURGO

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Menos de dois meses após inauguração, residencial do Minha Casa Minha Vida está detonado e sendo saqueado

Moradores reclamam falta de orientação da Prefeitura. Residencial está sendo depredado pelos próprios ocupantes

26 de Dezembro, 2016 às 18:39

À esquerda, a situação atual; no lado direito, a foto enviada pela Prefeitura em outubro.

Em outubro deste ano estava tudo novinho, pintado, grama cortada, arrumado e com cheirinho de casa nova. O Residencial Aeroclube, junto à Avenida dos Municípios, em Novo Hamburgo, estava apto a receber os novos moradores de 300 apartamentos. Dezenas de famílias de hamburguenses foram beneficiadas com unidades habitacionais pelo Projeto de Regularização Fundiária da Vila Kipling. Tudo era festa até outubro, com o prefeito Luis Lauermann (PT) participando da entrega das chaves e destacando: “Estamos muito orgulhosos por conseguir proporcionar uma casa própria a essas famílias. Muitos saíram de condições críticas de moradia e agora terão toda a infraestrutura.”


Menos de dois meses após a entrega das chaves, o conto de fadas está dando lugar a um pesadelo da vida real. Familiares de moradores entraram em contato com o Portal Martin Behrend inconformados com o que vem ocorrendo. O Playground está destruído; placas de numeração dos prédios foram arrancadas; interruptores e fios elétricos nos corredores estão sendo roubados (deixando os locais às escuras); água jorra de forma descontrolada; banheiro de área comum foi entupido com britas; o entra-e-sai de estranhos é permanente, portas em ambientes de uso comum estão depredadas; à noite, gritos de moradores embriagados ecoam pelos prédios; lixo acumulado e depositado de forma equivocada; a inadimplência inicial do condomínio já é de cerca de 50%; e, uma das questões mais graves, moradores estão vendendo seus imóveis – o que não poderia ocorrer. “Minha família esperou tanto pela casa própria, mas o que ocorre lá dentro é uma vergonha”, destaca uma hamburguense que prefere não se identificar e que produziu um vídeo sobre a destruição interna. Todo esse patrimônio sendo detonado envolvendo recursos federais subsidiados, ou seja, valores que pertencem a todos os brasileiros.


A maior queixa das pessoas que procuraram o Portal diz respeito à omissão da Prefeitura de Novo Hamburgo em repassar instrução aos moradores. “A maioria nunca viveu num condomínio. Não entendo os direitos e deveres. As crianças ficam detonando tudo e ninguém faz nada. É tudo muito triste”, conta um morador que também não quer revelar sua identidade com medo de ataques dos vizinhos. “Outro dia, o prefeito veio aqui pra uma celebração de final de ano e ninguém mostrou o estado do condomínio. Pessoal de preocupou com a festa e agora está tudo destruído”, desabafa.


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O empreendimento do Residencial Aeroclube teve investimento de R$ 19,2 milhões, com 300 apartamentos disponíveis para os antigos residentes da área e para financiamento via o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Ele faz parte da Regularização Fundiária da Vila Kipling, projeto da Prefeitura de Novo Hamburgo, realizado por meio da Secretaria de Habitação (Sehab).


A reportagem do Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo e a empresa que administra o condomínio. Foram feitos contatos por telefone e por e-mail. Não houve retorno às solicitações da reportagem para esclarecimentos. Também não se obteve contato com o síndico do prédio – outra reclamação dos moradores, já que é uma pessoa sem experiência para 300 apartamentos.


Confira o vídeo com um dos registros da destruição do condomínio.


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