Domingo, 1º de janeiro de 2017. Palácio 5 de Abril, a casa
da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Eram 16h35 quando teve início a
cerimônia de posse da prefeita Fatima Daudt (PSDB), do vice-prefeito Antonio
Fagan (PPS) e dos 14 vereadores eleitas para a legislatura 2017-2020. Esse
momento importante da vida pública e política de Novo Hamburgo foi acompanhada
por uma minoria de hamburguenses.
É por isso que o Portal Martin Behrend traz
agora os bastidores dessa tarde especial que culminou com a eleição de Patrícia
Beck (PPS) para presidir o Legislativo em 2017.
– Como a Câmara ainda precisava eleger um presidente, Issur
Koch (PP) conduziu a sessão até a eleição da nova presidência por ter sido o
vereador mais votado em Novo Hamburgo em 2 de outubro. Aliás, o mais votado da
história de 89 anos do município: 6.857 votos. Ele se disse realizado, pois
assumia a presidência desta forma por “desejo e vontade do povo”.
– Minutos antes da eleição para presidente, ao ser
fotografado para uma foto que seria publicada na internet logo após a
definição, Issur avisou o fotógrafo: “Pode deletar, não vais usar”. Ele já
sabia da decisão do colega de partido Vladi Lourenço (PP), que traiu a sigla e
votou em Patrícia.
– Quando Vilmar Heming (PDT) anunciou voto em Patrícia Beck,
os seguidores da vereadora aplaudiram o pedetista com uma euforia surreal.
Heming foi um grande adversário da parlamentar no governo passado, maltratando
e até humilhando Patrícia. Ontem, ele virou herói da militância da nova
presidente. Inacreditável.
– Patrícia Beck, ambiciosa ou sonhadora? Ela se define como
sonhadora e apostou alto. Tem muito eleitor frustrado com a aliança criada para
virar presidente da Câmara. A análise é que o custo político para ela será
enorme e terá de trabalhar muito para tirar essa mancha que irritou muitos
seguidores. O fato é que, desde 1948, ela é a segunda mulher a presidir a casa
legislativa. A primeira foi Marlene Plangg, em 1973.
– Quem diria: dois vereadores do PT, Enio Brizola e Nor
Boeno, apoiaram a candidata que é a porta-voz do governo do PSDB. PT e PSDB –
na figura do PPS de Patrícia Beck – aliados inseparáveis na votação.
– O governo Fatima Daudt (PSDB) não tem base firme no
Legislativo. A base que elegeu Patrícia Beck (PPS) é tão instável e movediça
quanto uma manteiga sob sol de 40 graus, ou alguém acha que o PT vai sempre votar
a favor de projetos do PSDB? Além disso, como o presidente da Câmara quase
nunca vota, o governo perdeu um voto certo. Tudo por uma eleição. O tempo dirá
se valeu a pena.
– O PMDB sai mordido da votação para presidente. Fatima
Daudt não terá sossego.
– Fatima Daudt (PSDB) no seu discurso: “Não aceitarei
conchavos, desvios e negociatas”. No momento seguinte, seu governo oferecia
cargos para Vladi Lourenço votar em Patrícia Beck (PPS). Discurso não se
sustentou por duas horas.
– De seis a 12 cargos para indicados de Vladi Lourenço (PP).
Esse foi o preço pago pelo governo Fatima Daudt para garantir o voto do
progressista.
– O pai de Vladi Lourenço, às lágrimas, veio pedir desculpas
aos familiares de Issur pelo voto do filho. Ele disse estar envergonhado do
gesto do filho. Alguns políticos consideraram lágrimas de crocodilo, pois a
família Lourenço vive recebendo cargos públicos do PP há anos. Vladi apenas
manteve a escrita do carguismo.
– O discurso de Felipe Kuhn Braun foi o mais hipócrita e
deselegante da tarde. Chegou desmerecendo outros vereadores, falou em ética e
respeito, mas foi o que mais desrespeitou o limite de três minutos, falando por
quase 10 minutos.
– Aliás, Felipe Kuhn Braun chega com o manual de politicagem
embaixo do braço. Atuando há alguns anos na Assembleia Legislativa no gabinete
de Gilmar Sossela (PDT), já desembarcou negociando cargos, alianças duvidosas, impondo posições e
fazendo discurso batido.
– Gerson Peteffi (PMDB) entrou na posse celebrando sete
mandatos – ele fez o sinal com os dedos da mão. Serão 28 anos trabalhando 50%
do tempo, mas ganhando 100% do salário. O seu eleitor deve estar satisfeito,
pois são sete mandatos. Peteffi também vibra, já que ganha salário cheio, mas
faz apenas bico como vereador.
– Naasom Luciano (PTB) usou parte do tempo do discurso para
criticar a mídia. Segundo ele, a imprensa prejudica os bons políticos e aqueles
que fazem um trabalho sério, pois coloca todos numa vala comum quando destaca a
corrupção. Ao mesmo tempo, ele generalizou e colocou numa vala comum toda mídia,
como se a imprensa fosse toda igual.
– Fernandinho (SD) foi o mais rápido nos discursos. Falou
pouco e deixou um recado no ar sobre pessoas que falam das outras sem conhecê-las.
– O presidente do PP, Leonardo Hoff, sai desgastado e
enfraquecido do episódio. Embora tenha feito reuniões e unido os suplentes de
vereador para fechar questão a favor de Issur, um antigo aliado, Vladi Lourenço, trai a sigla na primeira oportunidade. Vladi atropelou Hoff.
– Ar-condicionado central da Câmara de Vereadores está
estragado há meses. O plenário é refrigerado com dois splits. Não dão conta. A
plateia sofre. Parece sauna. Consertar um ar-condicionado não é gasto, é zelar
por um equipamento público e garantir bem-estar do público.
– Ninguém respondeu: quem é o traficante que foi eleito para
a Câmara de Vereadores, segundo o secretário estadual da Fazenda, Giovani
Feltes (PMDB)?
– Aliás, nenhum dos quatro vereadores do PMDB – maior bancada
da Câmara – fez qualquer discurso questionando a frase de Giovani Feltes.
Serjão Hanich (PMDB), Inspetor Luz (PMDB) e Raul Cassel (PMDB), que sempre
fazem discursos fortes, nem tocaram no assunto levantando pelo colega de
partido.
– A atual diretora da Câmara, a advogada Fernanda Luft, está mantida no cargo e sai prestigiada. Seu nome estava nos planos de Patrícia Beck e Issur Koch.
























