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UFC no PDT: tumulto e agressões envolvem ex-prefeito, dois vereadores e suplente de vereador

Dois vereadores do PDT de Novo Hamburgo querem intervenção da direção estadual do partido

02 de Agosto, 2017 às 10:04

Cenas de uma reunião no PDT de Novo Hamburgo: agressões, correria e BO. Fotos Divulgação

Tendo como testemunha a figura de Leonel de Moura Brizola emoldurada num quadro pendurado na parede, a noite desta terça-feira foi marcada por cenas de agressões dentro da sede municipal do PDT em Novo Hamburgo. Os protagonistas do episódio foram o ex-vereador, ex-prefeito hamburguense e atual presidente municipal do PDT, Antonio Lucas, seu filho e primeiro suplente de vereador, Rafael Lucas, e os atuais vereadores da sigla na Câmara, Vilmar Heming e Felipe Kuhn Braun. O que era pra ser um encontro de definições partidárias terminou em Boletim de Ocorrência (BO) na Central de Polícia de Novo Hamburgo. Heming e Kuhn Braun relataram agressões verbais e físicas dos dois integrantes da família Lucas.


A situação só não foi pior devido a atuação de alguns integrantes da sigla, entre eles o vice-presidente Marquinhos Hatzenberger, que de alguma forma conseguiu evitar até mesmo o derramamento de sangue. No pico da confusão, cadeiras foram jogadas pro lado e os vereadores correram para fora da sede do partido a fim de evitar novas agressões.


A reunião foi agendada para que fossem definidas algumas questões partidárias: contribuição dos vereadores para o cofre da sigla, a postura do PDT no Legislativo – oposição, situação ou independente? – e o fato que desencadeou as agressões: pedido de licença dos vereadores titulares a fim de abrir espaço para os suplentes assumirem e serem remunerados pelos dias em que atuarão.


FELIPE KUHN BRAUN


O vereador relata que desde o início a reunião conduzida por Lucas foi tensa. Houve agressões verbais por parte de Lucas contra os dois vereadores e também contra o governo da Fátima Daudt (PSDB) – segundo Braun, com palavrões agressivos. Durante a reunião, Lucas estaria inquieto e com gestos bruscos. No transcorrer do encontro, os dois parlamentarem puderam falar e trazer seus posicionamentos. Indignado com o tom das palavras dirigidas por Lucas, Braun comentou que considerava inviável seguir aquela reunião com após tantas ofensas verbais disparadas pelo presidente do partido e lamentava aquela postura contra colegas de sigla.


Foi neste instante que Rafael Lucas bateu com as duas mãos na mesa e partiu para cima dos vereadores. Antonio Lucas, que estava fora do ambiente neste instante – a reunião estava sob o comando de Hatzenberger –, veio para cima. Braun garante: foi atingido por um soco pelo ex-prefeito no braço direito. Já Rafael Lucas acertou Heming perto do ombro esquerdo.


Felipe Kuhn Braun, que é ligado ao gabinete do deputado estadual Gilmar Sossella, e Vilmar Heming, vinculado ao gabinete do deputado estadual Eduardo Loureiro, vão cobrar da direção estadual do PDT um posicionamento firme em relação ao presidente da sigla em Novo Hamburgo. “Fica inviável participar do PDT no município com ele na presidência. O PDT estadual precisa agir”, destaca.


VILMAR HEMING


O vereador de segundo mandato diz que ainda não tinha passado por isso. Segundo ele, nunca imaginava um presidente de partido e seu filho agredirem colegas. “A gente ouviu falar de episódios anteriores do Lucas envolvendo agressões, mas sempre ficava alguma dúvida. Agora, passamos por isso. Ele não tem controle para ser presidente”, desabafou. Segundo Heming, já estava encaminhada a situação da licença dos vereadores para que Rafael Lucas pudesse assumir por alguns dias. Mas na fala de Felipe Kuhn Braun é que os ânimos se acirraram.


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Heming destaca a atuação de colegas a fim de impedir mais violência. “Felizmente, alguns atuaram para evitar o pior. Poderíamos levar um tundão ainda maior”, comenta o vereador. “Eu não participo mais de reuniões enquanto ele for o presidente. Houve agressão física e verbal. Tomei um soco no ombro”, garante Vilmar Heming.


ANTONIO LUCAS


O presidente do PDT de Novo Hamburgo, que também atua na Guarda Municipal do município, disse que esta reunião vinha sendo solicitada há alguns meses aos vereadores. Segundo Lucas, eles não atendiam os pedidos do partido para tratar das questões envolvendo contribuição financeira, posicionamento da sigla em relação ao governo Fátima Daudt e a rotatividade dos vereadores. “Percebemos que outras siglas estavam abrindo espaço para os suplentes, mas no nosso caso isso não vem acontecendo”, explica Lucas. “Além disso, eles vêm contribuindo com mixaria para o partido, que está cheio de dívidas”, completa o ex-prefeito e ex-vereador.


Ele confirma que seu filho se alterou com as palavras de Felipe Kuhn Braun, que teriam sido agressivas. “O Felipe veio dar lição de moral e o Rafael bateu forte na mesa. Mas a turma do deixa disso logo apareceu. Eu nem estava na reunião naquele momento”, relata. O presidente do PDT de Novo Hamburgo reage: nega que tenha agredido fisicamente algum vereador. “Capaz que eu ia agredir alguém. Cheguei ali para separar”, reforça. Lucas falou que poderá desistir da política e espera que os vereadores façam mais pela sigla em Novo Hamburgo. “Vamos ver se eles vão aparecer nas reuniões para ajudar o PDT”, finalizou.


MARQUINHOS HATZENBERGER


O vice-presidente do PDT em Novo Hamburgo, Marquinhos Hatzenberger, lamentou o desfecho da reunião. “Eu já tinha tido conversas anteriores na Câmara com o Felipe e Vilmar. Estávamos querendo essa presença dentro do PDT para discutir a sigla. Mas não pode se aceitar violência. Estou constrangido. Sou um homem de posições e atitudes, mas jamais posso tolerar violência”, comentou.


Hatzenberger confirma que houve um momento mais tenso, mas o fato de as cadeiras serem de plástico criou um ambiente e um barulho que não condizem com um eventual cenário de guerra. “Teve discussão e precisamos interferir. Eu mesmo estava no meio da confusão e procurei acalmar os ânimos. O fato é que esse tipo de postura só prejudica o partido, que merece o nosso maior respeito”, completou.


FUTURO DO PDT


Esta situação dentro do PDT ainda é reflexo da eleição para a presidência municipal. O pleito foi em 6 de maio deste ano. O favorito para vencer era o ex-vereador Gilson Thoen, apoiado por Vilmar Heming e Felipe Kuhn Braun. Mas quem levou a disputa foi Antonio Lucas – 777 votos contra 659. Esta ferida segue aberta e dificilmente será cicatrizada tão cedo. Agora, é provável que o presidente estadual da sigla, deputado federal Pompeo de Mattos, tenha de tomar uma posição firme.


Este não é o primeiro episódio da família Lucas que termina com BO na polícia. Em 26 de outubro do ano passado, o atual vereador Gabriel Chassot (Rede) registrou suposta agressão de Rafael Lucas - http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/2296/titulo/vereador-eleito-denuncia-suposta-agressao-de-filho-do-presidente-da-camara-e-revela-tenho-medo-de-ser-assassinado. Antes disso, Chassot registrou BO alegando ter sido agredido por Antonio Lucas dentro do gabinete do ex-parlamentar. O vereador da Rede atuou por mais de dez anos ao lado de Lucas. Rafael Lucas foi procurado pela reportagem, mas não retornou às solicitações.


Parece que as palavras de um dos maiores líderes do PDT nacional, Ciro Gomes, estão fazendo escola em Novo Hamburgo. Ciro gravou um vídeo há alguns meses onde ele afirmou que poderia receber a turma do juiz Sério Moro "na bala".

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