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Palestras do Carpinejar em São Leopoldo: secretária adjunta divulga artigo e escritor pretende continuar projeto

Contratação de Fabrício Carpinejar para palestras sobre bullyng motivou ação judicial

10 de Setembro, 2017 às 09:31

A decisão judicial suspendendo liminarmente o contrato da Prefeitura de São Leopoldo com o escritor Fabrício Carpinejar ganhou repercussão nacional. Ainda neste sábado, a secretária adjunta de Educação de São Leopoldo e professora dos cursos de Letras e Comunicação na Unisinos, Mariléia Sell, divulgou texto lamentando a repercussão do caso.


Carpinejar, em entrevista concedida ao jornal Zero Hora, afirmou que “a gente não vai abandonar o projeto”. Ontem, o Portal Martin Behrend publicou reportagem sobre o caso e os esclarecimentos do escritor: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i... .


Carpinejar foi contratado pela gestão do prefeito Ary Vanazzi (PT) para realizar palestras sobre bullyng em escolas municipais leopoldenses. Essa contratação foi alvo de ação pública por suposta irregularidade já que não houve a realização de licitação – mecanismo da inexigibilidade. O assunto ganhou projeção após decisão da 3ª Vara Cível de São Leopoldo suspendendo liminarmente o contrato em vigor.


Na sexta-feira, o despacho com a suspensão liminar foi assinado pelo juiz Ivan Fernando de Medeiros Chaves. Segundo a ação pública, a realização de 30 palestras nas escolas municipais leopoldenses teria a remuneração de R$ 80 mil. Na manifestação do juiz, não ficou clara "justificativa plausível para a decretação de inviabilidade de competição".


Em São Leopoldo, o assunto ganhou outra relevância e contexto em razão do caos das finanças que só piorou na última década. O município não está pagando salários dos servidores em dia e está limitando serviços à população. Parte da comunidade leopoldense critica o gasto com as palestras em razão de nem os compromissos básicos estarem sendo honrados pelo governo municipal.


Confira a seguir o artigo divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de São Leopoldo assinado pela secretária adjunta de Educação de São Leopoldo e professora dos cursos de Letras e Comunicação na Unisinos, Mariléia Sell.


Sobre tempos sinistros


"Nunca pensei que um projeto de combate ao bullying, em vez de gerar apoio e empatia, sofreria bullying. São tempos sinistros". (Fabrício Carpinejar)


O contrato de Fabrício Carpinejar, enquadrado na lei de inexigibilidade de licitação, prevista no artigo 25, inciso III, da lei 8666/90, foi suspenso judicialmente. O que justifica um contrato por inexigiblidade de licitação? Um dos itens é algo chamado "notório saber". O notório saber inclui aqueles saberes que são específicos de alguma autoridade acadêmica/técnica/artística em determinado campo do conhecimento. O que faz Fabrício ser considerado alguém de notório saber? Ora, ele foi um dos primeiros autores no Brasil a refletir sobre a temática do bullying em seu livro "Filhote de Cruz Credo".


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Ele realizou projeto semelhante para o governo do estado, em 2014, atingindo cerca de 20 mil estudantes em todo o Rio Grande do Sul . Ele tem 20 anos na vida literária, tem 40 obras publicadas e é vencedor de 25 prêmios, incluindo dois Jabutis e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras. Carpinejar é graduado em Jornalismo e pós graduado em Letras, mas, até aí, nada demais. O que faz de Fabrício alguém notório é que ele leva poesia e esperança para os/as jovens que são ou poderão vir a ser vítimas de bullying, assim como ele mesmo foi. O bullying é algo tão sério que leva cada vez mais adolescentes ao suicídio no mundo todo, inclusive em São Leopoldo. Em São Leopoldo, gasta-se muito dinheiro em segurança nas escolas, então não seria melhor investir em trabalhos preventivos? Para alguns/as demagogos/as, a eficiência do estado se mede pela força da polícia e não pelo potencial da educação: um equívoco sem precedentes, típico de quem não pensa!


Tanto dinheiro nesse país moralista sendo desviado e mal empregado (vide as malas de dinheiro!!!) e as pessoas movendo mundos para impedir um projeto que atingiria 30 escolas da rede municipal de São Leopoldo. Pessoas que sequer sabem que o dinheiro destinado para a formação dos/as professores/as e dos/as alunos/as tem rubrica fechada, o que significa que ele tem que ser investido em formação e não em salários ou qualquer outra coisa! Pessoas que não reconhecem a importância de os/as alunos/as terem contato com alguém que encoraje e inspire, alguém que respire e transpire poesia, alguém que ressignifique as agruras desta vida e traga alguma esperança. Mas esperança é um item escasso nestes tempos sinistros e parece que estamos cada vez menos autorizados/as a senti-la. Uma pena, é o que tenho a dizer!


Mariléia Sell é professora dos cursos de Letras e Comunicação na Unisinos e secretária adjunta de Educação de São Leopoldo

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