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Palestras do Carpinejar, bullyng são os R$ 80 mil

Cobrar R$ 80 mil por um ciclo de palestras em um município deficitário como São Leopoldo não é adequado

10 de Setembro, 2017 às 16:26

Rodrigo de Bem Nunes como palestrante em escola: experiência valiosa na trajetória. Arquivo pessoal

Faço aqui uma consultoria grátis para Prefeitura de São Leopoldo: peguem o valor que seria destinado por cada palestra sobre bullyng do escritor Fabrício Carpinejar – algo como R$ 2,5 mil – e criem uma premiação para os professores do município. Os docentes com os melhores resultados em determinado projeto, como por exemplo a própria prevenção ao bullyng, ganhariam uma bonificação de R$ 2,500 como sinal de valorização pelo trabalho educacional e um convite para palestrar nas escolas da cidade contando sobre o que foi feito. Talvez a bonificação poderia atingir um número menor de professores, mas ser um pouco mais polpuda, como R$ 5,000, para assim poder também custear uma bem-feitoria à própria escola do projeto vencedor.


O valor total de R$ 80 mil destinado ao ciclo de palestras do escritor Carpinejar seria equivalente a 32 pequenas ações que poderiam bonificar 32 professores diferentes nas mais diversas áreas como matemática, ciências, comportamento, cidadania, etc e que resultariam em ação, mudança, não apenas em palavras. A palestra do professor ganhador mostraria resultados obtidos, o benefício logrado para alunos e para própria escola. As crianças ganhariam uma noção mais abrangente de mérito, e seguramente sentiriam-se orgulhosas de representar a sua instituição. Finalmente, os professores com seus salários um tanto desvalorizados, teriam uma pequena recompensa financeira que é seguramente melhor que nada.


Falar sobre “bullyng” pode ter lá alguma importância, mas com todo respeito ao escritor, cobrar R$ 80 mil por um ciclo de palestras em um município deficitário como São Leopoldo não é adequado. Aliás, bullyng entre crianças e adolescentes é algo que sempre houve e sempre haverá, desculpe a franqueza. E é bom lembrar; um dos maiores alvos de bullying em qualquer turma geralmente é o aluno que procura levar os estudos a sério e mostra respeito ao seu mestre, o famoso “CDF” (sigla que por sua vez é bullyng em si, já que significa “cu de ferro” numa alusão ao suposto “puxa-saquismo” junto aos professores).


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Antes que algum arauto da moral e dos bons costumes venha perguntar sobre qual seria minha reação ao ser convidado para palestrar de graça, eu respondo: olhe a foto que ilustra o texto. Fui convidado, quando adolescente, para palestrar em uma escola municipal, da qual fui também aluno, sobre “educação e cortesia”, tentar mostrar para as crianças a importância de dizer “bom dia”, “obrigado” e “por favor”. Não sou famoso, não pinto as unhas, nem faço desenhos no meu cabelo como o Carpinejar, mas e quem disse que crianças prestam atenção nas credenciais do palestrante?


OK, confesso que não foi gratuito; ganhei um bombom como forma de agradecimento. E uma linda memória sobre o gostinho de, pelo menos por alguns minutos, sentir-me um professor. Vale mais que R$ 80 mil Carpinejar, posso lhe assegurar.

Autor

Rodrigo de Bem Nunes

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