É muito preso e pouca vaga no sistema carcerário gaúcho.
Com a atuação firme da Policia Civil, Brigada Militar e até da Guarda Municipal no enfrentamento da criminalidade, é crescente o número de bandidos capturados. Só que existe um gargalo na infraestrutura gaúcha: sem vagas nos presídios, bandidos precisam ficar do lado de fora das delegacias, muitas vezes no chão, sendo vigiados por integrantes da Brigada e da Guarda.
Em dois municípios do Vale do Sinos, a situação é mais grave: São Leopoldo e Novo Hamburgo. Nestas cidades, quase toda semana tem preso do lado de fora, pois as carceragens estão tomadas por bandidos. E, enquanto policiais poderiam estar participando de novas ações, precisam ficar de “vigias” dos presos. Um contexto completamente desfigurado das atribuições dos servidores da segurança publica.
Agora, surge uma solução – que é para ser temporária. Novo Hamburgo e São Leopoldo deverão receber contêineres, que farão a função de celas temporárias. O juiz titular da Vara Execuções Criminais (VEC) Regional de Novo Hamburgo, Carlos Fernando Noschang Júnior, disponibilizou recurso para viabilizar a vinda de contêineres. A chegada dos equipamentos deve ocorrer nos próximos dias. Ele vêm completos e instalados, inclusive com esgoto e banheiro anti-fuga. Também existe um sistema de climatização do espaço.
Embora não seja a solução desejada e esteja longe do ideal, os contêineres servirão para manter os bandidos num lugar mais protegido e seguro, liberando mais policiais para atuação nas ruas – seria necessário, no máximo, dois brigadianos para controle. eles vem completos e instalados, inclusive com esgoto
O impasse está no local onde serão instalados os contêineres. Em Novo Hamburgo existe uma ideia inicial dele ser posicionado junto à Central de Polícia, numa parte coberta onde os presos ficam hoje. Só que essa situação incomoda – com razão – aos servidores da Polícia Civil, além dos riscos à comunidade. Há um temor de transformar as delegacias em presídios.
A solução seria instalar o contêiner dentro do Instituto Penal de Novo Hamburgo, numa área isolada dos presos. “Estamos vendo com a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários) essa situação. Consideramos que seja o local seja adequado”, avalia o titular da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), delegado Rosalino Seara. Essa opinião também é compartilhada pelo titular da 1ª Delegacia de Policia de Novo Hamburgo, Tarcísio Kaltbach.
Seara reforça que esta não é a situação desejada e que o grande problema é a falta de vagas nos presídios. “Estamos deixando de cumprir algumas mandados de prisão por falta de vagas, pois não há onde levar os presos”, relata.. Ao mesmo tempo, entende que a solução apresentada, se for temporária, pode aliviar a tensão na Central de Polícia, inclusive liberado policiais para exercerem suas reais funções. “Esperamos que a Susepe compreenda nosso pleito sobre a instalação do contêiner em Novo Hamburgo”, completa.
Em São Leopoldo, a ideia inicial é de o equipamento ficar junto à sede da Delegacia Regional, mas também há desconforto com essa situação. Da mesma forma, a Susepe está recebendo sugestões de alternativas para instalar o contêiner prisão no município.

























