Quem circula pelas ruas de grandes centros urbanos, tem se deparado
com uma cena cada vez mais frequente: vendedores ambulantes expondo seus
produtos pelas calçadas e comercializando livremente mercadorias de
procedência questionável, sem emissão de nota ou oferecimento de
qualquer tipo de garantia ao consumidor.
Estão, sem qualquer
constrangimento, na frente de estabelecimentos comerciais que, embora
não vendam o mesmo tipo de produtos, disputam o mesmo cliente – e em
condições bastante diferentes.
Diante da inércia de quem deveria estar coibindo esse tipo de
atividade, os comerciantes informais avançam para formatos mais
elaborados de negócios: são frequentes as chamadas Feiras Itinerantes,
que nada mais são do que grandes concentrações de itens improcedentes,
disponíveis para venda por preços supostamente mais atrativos do que os
praticados nas lojas tradicionais.
A certeza da impunidade é tanta que
muitos desses eventos ganham intensa divulgação, com data, horário e
local previamente informados, circulando pelos grupos de mensagens e
redes sociais.
O lojista – aquele que tem seu estabelecimento comercial devidamente
registrado, que segue todos os ritos legais para a prática de sua
atividade, que arrecada tributos para o município, gera empregos e
fomenta a economia local, que se preocupa com a qualidade daquilo que
oferece ao consumidor – assiste ao movimento de clientes rarear e ao
ticket médio mensal de sua loja despencar, perdendo uma disputa injusta e
desigual desde o início.
Não é possível aceitar a conivência com o comércio informal porque
ele é danoso para toda a sociedade. Enfraquece o setor do comércio,
empobrece o entorno e lesa consumidores que adquirem produtos de má
qualidade.
O comércio informal é enganoso e se esconde sob o falso
argumento de dar oportunidade de sustento àqueles que precisam de uma
fonte de renda. É necessário que todos tenham, sim, direito de exercer
suas atividades, de empreender com negócios privados ou iniciativas
autônomas. Mas é fundamental que todos estejam alinhados pelas mesmas
regras.
Diferentemente do que uma prática de protecionismo, esse pedido
é, em sua essência, um clamor por justiça, permitindo que o comércio
legal possa mostrar seu real potencial e sua verdadeira contribuição
para o crescimento sustentável do varejo no Rio Grande do Sul.
Artigo de Opinião: Vice-presidente da Federação Varejista
do Estado do Rio Grande do Sul e presidente da Câmara de Dirigentes
Lojistas de Bento Gonçalves, Marcos Carbone

























