Um dos maiores feitos do futebol gaúcho está completando 60 anos. De 26 de fevereiro a 18 de março de 1956, na Cidade do México, foi realizada a segunda edição do Campeonato Pan-Americano de Futebol. Há 60 anos, a seleção brasileira fez bonito, assegurando o bicampeonato do torneio.
Só que esse feito teve a cara, a força e o talento do futebol gaúcho. A equipe brasileira foi representada apenas por boleiros de clubes do Rio Grande do Sul. Do grupo de 23 jogadores, apenas cinco não pertenciam à dupla Gre-Nal: o goleiro
Valdir de Moraes e
Ênio Andrade, do Grêmio Esportivo Renner; Duarte, do Pelotas; e o ponteiro esquerdo
Raul Klein
e Paulinho (terceiro goleiro), que jogavam pelo Esporte Clube Floriano (Esporte Clube Novo Hamburgo). O técnico escolhido foi José Francisco Duarte Júnior (Teté), do Inter.
O bicampeonato do Pan-Americano – chancelado pela Fifa – veio de forma inédita. A seleção brasileira (ou gaúcha) teve a seguinte campanha: Brasil 2 x 1 Chile (segundo gol marcado por Raul Klein); Brasil 1 x 0 Peru; Brasil 2 x 1 México; Brasil 7 x 1 Costa Rica; e, na decisão, Brasil 2 x 2 Argentina. O empate favorecia o Brasil, que assegurou o título em 18 de março de 1956.
Na edição de 30 de março de 1956, o jornal O 5 de Abril registrou o retorno dos craques gaúchos. A reportagem do semanário marcou presença no Aeroporto Salgado Filho na recepção dos heróis – eles já haviam sido recebidos pelo conterrâneo e
vice-presidente da Repúbica, João Goulart, e pelo presidente brasileiro, Juscelino Kubitschek. Confira a seguir a reportagem publicada na contracapa da edição de O 5 de Abril:
A palavra de Raul ainda na pista do Aeropôrto Salgado Filho
“Aquêle tento contra o Chile dediquei a Novo Hamburgo”
Também Paulinho falou:
“Fizemos até o impossível para honrar o Brasil”
Mal os jogadores do selecionado gaúcho pisavam no solo sulino, já a reportagem do “Cinquinho” entrevistava o jogador Raul que se encontrava emocionadíssimo junto a seus familiares. Abordado por nós, a fazer uma rápida declaração para o povo de Novo Hamburgo, assim se expressou o notável extrema:
“O campeonato foi uma coisa empolgante. A sua conquista nos custou esforço, lágrimas e uma dedicação sem limites. Esta oportunidade que me ofereces, aproveito única e exclusivamente para saudar o grande povo da minha terra. Aquêle tento contra o Chile dediquei a minha queria cidade industrial, pois foi na gente de Novo Hamburgo que pensei em seguida ao lance. Estou ansioso para rever os meus amigos…”
Indagado por nós a respeito do adversário mais difícil, que enfrentou, disse-nos Raul:
– “Indiscutivelmente o Peru.”
Deixando Raul com os seus familiares fomos a procura de Paulinho, que no momento em que procurávamos entrevistar, recebia os cumprimentos do Prefeito Leonel Brizola. Logo após, instado a se pronunciar, disse Paulinho:
– “O novo-hamburguês Raul brilhou intensamente. Não tive oportunidade de intervir no certame, mas se isto acontecesse tudo faria para corresponder. Pode tomar nota aqui no seu caderno: nós, no México, fizemos do impossível o possível para poder vencer o certame.”
Devemos confessar que para conseguir estas declarações de Raul e Paulinho dispendemos de um esfôrço tremendo, já que o Aeropôrto Salgado Filho encontrava-se superlotado, todos querendo abraçar os jogadores bi-campeões pan-americanos.

























