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Home Brasil

Campeões de vendas e embaixadores do Brasil

Redação | Martin Behrend Por Redação | Martin Behrend
15/10/2019 - 19:14
em Brasil
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Serpenteando o espetacular e azulado Lago dos Quatro Cantões
que banha a turística cidade de Weggis, na Suíça, a rua Gotthardstrasse tem
pequenos comércios, muitos deles voltados ao visitantes que passeiam por este
deslumbrante e charmoso destino europeu encravado entre montanhas.

Numa das suaves curvas da via, está posicionada uma loja de
moda. Do lado de fora, estão expositores de chinelos. O colorido dos modelos
expostos aguça a curiosidade. Ao se aproximar, a confirmação: são produtos
brasileiros. Nesse caso, eram pares de Ipanema, da Grendene, sendo
comercializados num pequeno recanto suíço quase escondido num vale rodeado por
montanhas cobertas pela neve.

Em outro destino europeu, se está caminhando por ruas
estreitas e charmosas da bucólica Caorle, na região do Vêneto, na Itália. De
longe, se avista um pequeno prédio com duas harmônicas e românticas sacadas.
Abaixo, um toldo vermelho suspenso faz sombra para expositores de… chinelos.
Na franja do tecido avermelhado, o letreiro de uma marca mundialmente
conhecida: Havaianas. Ali estão os indefectíveis calçados brasileiros.

Essa cena se repete em loja no shopping Aquis Plaza na
cidade de Aachen, na Alemanha; em estabelecimento do Usce Shopping Center, em
Belgrado, na Sérvia; nas lojas da rede Boyner, na Turquia; num shopping de
Hangzhou, na China; ou ainda, em comércio de Thessalonik, na Grécia.


Em todos esses destinos e tantos outros espalhados pelo
mundo, brilham os chinelos brasileiros em vitrines, mostruários e prateleiras.
A tropicalidade, a informalidade e um estilo de vida embarcam no conceito que
há algumas décadas se afirmou com a grife Made in Brazil.

EMBAIXADORES

Os chinelos e sandálias brasileiros são inquestionáveis
embaixadores do país. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados), em 2018, foram registrados embarques destes modelos para 119
países de todos os continentes.

Mais da metade – 50,4% – do total dos pares exportados pelas
indústrias brasileiras foram de chinelos. Mesmo com uma queda de 3% em relação
a 2017, o número é muito expressivo: 57,2 milhões de pares, resultando num
volume de negócios de US$ 162,6 milhões (16,7% do total exportado). “Os
chinelos, ou sandálias praianas, são produtos fundamentais na pauta de
exportações de calçados, especialmente porque levam a moda do Made in Brazil
para o exterior, trazendo divisas e ganhos de imagem”, destaca o presidente executivo
da entidade, Haroldo Ferreira.

No inglês que conduz tantas negociações internacionais, os flip-flops (chinelos de dedo) do Brasil
são fundamentais para geração de empregos – são dezenas de milhares de postos
de trabalho envolvidos nesse segmento – e afirmação do país como produtor
mundial de calçados.

ESTRELAS

Os carros-chefes dessa expressiva produção são as Havaianas,
produzidas pela Alpargatas, e a Ipanema, da Grendene, que também conta com as afirmadas
marcas Rider e Grendha como referências internacionais.

As exportações desses modelos chegam a mais de 100 países do
globo. São números impressionantes. A capacidade produtiva da Grendene, por
exemplo, é de 250 milhões de pares por ano. Esse número abrange todos os
arquétipos e marcas – daria para calçar toda a população brasileira e ainda
sobrariam alguns milhões.

Com uma espantosa afirmação nacional e internacionalização
crescentes, as grifes começaram a contar com estrelas planetárias para suas
campanhas. A super top model Gisele Bündchen – dez anos de parceria encantando
e divulgando Ipanema –, o ator hollywoodiano Rodrigo Santoro e o tricampeão de
Roland Garros Gustavo Kuerten foram contratados.

Artistas com a projeção de Bruno Gagliasso, Letícia Spiller,
Lázaro Ramos, Cauã Reymond, Fernanda Lima, Anitta, entre outros, se tornaram
garotos-propaganda. Na área do esporte, Nelson Piquet, Falcão, Careca, Romário,
Emerson Fittipaldi e Rubens Barrichello também brilharam em campanhas
publicitárias.

As Havaianas alcançaram status de prestígio internacional
entre estrelas do show businnes. Artistas como Britney Spears, Paris Hilton,
Miley Cyrus, Megan Fox, Jude Law e Hilary Duff já foram fotografados calçando
os chinelos brasileiros. No Reino Unido, um modelo chegou a ser comercializado
por cerca de R$ 500,00. Esse patamar ajudou a impulsionar a abertura de novos
mercados e reforçar um conceito de brasilidade nos pés de homens e mulheres do
mundo inteiro.

Em reportagem de 2017, a BBC News, de Londres, abriu a
seguinte manchete: Havaianas: How a
Brazilian flip-flop took over the world
– traduzindo: “Havaianas: como um
chinelo brasileiro dominou o mundo”.

A matéria é assinada pela jornalista Vicky Baker e informou sobre os cerca de 200 milhões de pares vendidos por ano. A reportagem lembrou que na década de 1960 os modelos eram consumidos por trabalhadores, e que o prestígio foi crescendo com o desenvolvimento de novos conceitos, se tornando referência mundial.

PAÍS TROPICAL

Além do marketing agressivo, as marcas brasileiras trataram
de evoluir e investir em design, conforto, qualidade e tecnologia, sempre
envolvendo os conceitos do país do
Carnaval, da Amazônia, das praias do Nordeste e do calor humano. “A fantasia
nas cores e desenhos encanta os clientes, além da maciez da sola, com bastante
memória, e com bastante resistência à abrasão. Isso significa que se caminha
com conforto, não deforma e não desgasta. O marketing brasileiro destas marcas
também é contagiante, levando o
consumidor a sonhar com praias tropicais”, analisa a expert em exportações de
calçados, Edela Land, que participa de feiras internacionais há mais de 30
anos.

Nesta mesma linha caminha a avaliação de Cristina Pacheco,
jornalista especializada em moda, arte e cultura e comentarista da Rádio União
– 105.3 FM. “O estilo brasileiro e o DNA tropical do design são fatores de
influência no sucesso das exportações dos chinelos nacionais. O mercado
estrangeiro não precisa de mais produtos ‘genéricos’ ou estilos copiados do
design europeu e, sendo assim, a autenticidade e personalidade do Made in
Brazil é item de diferenciação. Claro que de nada adianta um estilo autêntico
sem qualidade, mas partindo do princípio que qualidade não é diferencial, e sim
obrigação, então podemos colocar o estilo como diferencial de vendas, sim”,
aponta a jornalista.

O diretor de Exportação da Grendene, Alexandre Gastaldello,
reforça a corrente da relevância da brasilidade como um diferencial de êxito
comercial dos chinelos Made in Brazil. Tanto é verdade que os concorrentes do
exterior querem surfar na onda brasileira. “Basta ver que marcas de outros
países aplicam elementos ou estilos que remetem ao Brasil ou ao jeito de ser do
brasileiro”, comenta.

PRESENÇA NO EXTERIOR

Com lojas da rede Punto espalhadas pela Bulgária, incluindo
a capital Sofia, a compradora Temenujhka Peicheva é uma das responsáveis por
encaminhar os pedidos de coleções de Havaianas e Ipanema. Ela também trabalha
com marcas de outros países, mas a preferência dos consumidores é pelos flip-flops brasileiros. “São mais
confortáveis e atraentes”, comenta. “Além disso, tem boa variedade de cores,
alta qualidade e bons preços. Temos clientes que vêm em busca de mercadorias fazendo
a relação direta com o Brasil”, garante. No verão passado, foram vendidos 5.000
pares de chinelos nas lojas da rede búlgara Punto.

A invasão dos chinelos brasileiros no exterior tem histórias
e parcerias marcantes. Um desses cases envolve a Hungria. Foi na década de
1990, na feira de Riva del Garda, na Itália, que o húngaro George Kobza, da
empresa Katex, tomou conhecimento das marcas brasileiras de chinelos.

O contato ocorreu com os modelos Rider, da Grendene. “Gostei
da coleção e fiz um pequeno pedido inicial de 3.000 chinelos para ter uma
experiência. Eles foram vendidos em uma semana. Diante disso, perguntei se
poderia fazer um segundo pedido, o que foi aceito. Foram mais 5.000 pares –
vendidos em uma semana novamente! Bom, então fiz um terceiro pedido de 10.000
pares. E a mesma história: tudo vendido em uma semana”, relembra o distribuidor
húngaro, destacando que no primeiro ano de parceria foram comprados 70.000
pares de chinelos da indústria gaúcha.

O fato é que as inovações trazidas nos modelos da Rider caíram
no gosto dos húngaros. Não eram mais os simples chinelos, mas vinham com
conforto, design e estilo. O casamento Grendene-Hungria ganhou um fôlego
impressionante, chegando a vender 410 mil pares de chinelos num ano – é como se
quase 5% dos húngaros estivessem calçando as marcas brasileiras. “Estamos tendo
um leve aquecimento global, isso torna os chinelos ainda mais convidativos para
nosso clientes. No caso dos modelos brasileiros, eles carregam design, motivos
especiais e são fashions. Figuras como Gisele Bündchen ou Anitta promovendo
Ipanema reforçam o marketing, além de renomados designers internacionais que
assinam algumas coleções”, destaca George Kobza.

SUSTENTABILIDADE

O chinelo de dedo é identificado em dezenas de mercados como
um produto Made in Brazil e as marcas buscam reforçar essa associação com o
lifestyle brasileiro nas comunicações. Essa força internacional fez as empresas
transitarem por novos posicionamentos.

Na modelagem também se estabeleceram diferentes
alinhamentos. Para a Ipanema, a parceria
internacional mais recente foram as coleções assinadas por Philippe Starck. Com
a Rider, as mais recentes parcerias foram com Piet, Diet Starts Monday e,
exclusivamente para o mercado externo, a NTS.

Outro diferencial de mercado para a Grendene é que os
calçados são 100% recicláveis e não utilizam nenhum componente de origem animal
em sua composição. Os calçados são registrados com o selo Vegan pela Vegan
Society.

Além disso, no caso da Ipanema, também existe a certificações
com o selo Biobased que verifica o percentual de matéria-prima de origem
renovável na composição do produto. Para a Ipanema, o percentual é de 20% a
40%. “A sustentabilidade está em evidência em todo planeta. Esse é um conceito
que não está apenas em nossos produtos, mas é praticado em diferentes estágios
da nossa empresa. Existe, sim, essa preocupação em fazer uma moda mais
sustentável”, confirma Alexandre Gastaldello.

A sustentabilidade é questão irreversível na pauta
comercial. A opinião é da jornalista Cristina Pacheco. “A indústria da moda
como um todo (incluindo a têxtil) é uma das mais poluentes do mundo, não
somente por seus processos produtivos como também pelo estímulo intrínseco de
um consumo acelerado como parte do negócio. Sendo assim, a oferta de produtos
com materiais menos nocivos ao planeta já encontra respaldo na decisão de
compra dos consumidores, especialmente em países com consciência ambiental mais
aflorada”, avalia Cristina.

A jornalista gaúcha lembra que, nesse ano, no encontro da
cúpula do G7, na França, grandes marcas de moda assinaram o Fashion Pact, um
acordo firmado no compromisso de reduzir e eliminar plásticos e utilizar fontes
renováveis de energia. “É o indicativo claro de que esse comportamento
comprometido às causas ambientais é uma pauta sem volta para a existência das
marcas no competitivo mercado global”, complementa a jornalista gaúcha.

FEIRAS

O expressivo crescimento de marcas como Havaianas e Ipanema
pavimentou um caminho e abriu espaço para empreendedores dispostos a ampliar a
supremacia verde-amarela e assegurar uma fatia desse mercado. Uma das marcas em
ascensão é a Boaonda, de Sapiranga.

A empresa, que nasceu na década de 1990 envolvida com a
produção de maquetaria e matrizes, viu a oportunidade de expandir os negócios
após uma participação na feira Fimec, na Fenac, em Novo Hamburgo. “Houve uma
aceitação muito interessante nesta largada. Foi um movimento importante da
empresa”, destaca Israel Reis, que atua como gerente de exportação da Boaonda.

Atualmente, a marca tem contatos e relações comerciais com
30 países, em todos os continentes. A identificação do chinelo como um produto
brasileiro ajuda, mas o quesito conforto também é fundamental. “Fomos buscando
um produto com a nossa identidade e características. Estamos nos posicionando e
os clientes internacionais acabam reconhecendo isso”, complementa Reis. A
produção anual de todo mix de produtos da Boaonda – inclui chinelos, sandálias,
clogs e toda coleção – é de 1,3 milhão de pares.

A participação em feiras internacionais vem sendo uma das
estratégias adotadas pela empresa gaúcha. Micam, em Milão, na Itália; Sicc, em
Gramado; Las Vegas, nos Estados Unidos; e Mos Shoes, em Moscou, na Rússia,
estão no radar da Boaonda.

Aliás, a Abicalçados investe fortemente nessa promoção internacional
num projeto que envolve o governo federal.
“Por meio do Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações de
calçados mantido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a Abicalçados trabalha para o
incremento não somente quantitativo, mas qualitativo das exportações do setor.
Ou seja, trabalhamos para que a marca própria, para que o Made in Brazil seja
cada vez mais reconhecido além-fronteiras. Os chinelos são produtos que levam
consigo a marca verde-amarela, de irreverência, tropicalidade e vida ao lar
livre. Faz parte do nosso lifestyle”, aponta o presidente-executivo da
entidade, Haroldo Ferreira.

LANÇAMENTOS E NOVAS COLEÇÕES

A agressividade em oferecer permanentemente coleções arrebatadoras
também é ponto considerado decisivo por Edela Land, que foi responsável pela
abertura de mercados para muitas marcas de calçados brasileiros na Europa. “Vejo
que tanto as Havaianas como a Grendene, que são as maiores, têm se dedicado a
introduzir novas coleções, que não ficam só no flip-flop. Tem sandálias
também, o que acho muito interessante para poder dirigir dentro da lei. A
Grendene lançou neste verão europeu de 2019, dentro da linha Ipanema, sandálias
com flores, e outros ornamentos, simplesmente maravilhosos”, comenta.

No planejamento da Grendene são mais de 1.000 lançamentos
por ano. “Temos a capacidade de garantir aos nossos clientes uma constante
renovação de suas vitrines e pontos de venda”, explica Alexandre Gastaldello. O
diretor de exportação da indústria fundada em Farroupilha, na Serra gaúcha,
reforça que, dentro das possibilidades de surpreender e se aproximar dos
mercados, está a capacidade de criar modelos específicos para determinados
destinos. “Isso inclui desde alterações em adornos até no próprio design”,
revela Gastaldello, salientando o trabalho que é realizado para bem posicionar os
produtos dentro das lojas a ponto de valorizar o espaço físico e conquistar os
clientes.

Edela Land ainda aponta o crescimento de outras marcas
brasileiras neste cenário internacional. “Tem outras empresas despontando no
setor, como a Indaiá, que está se focando em flip-flops de luxo, com ornamentos de pedrarias, com acompanhamento
de toalhas e bolsas, ideal para verões sofisticados na cidade, na piscina, em
lagos e praias fashion. É a nossa criatividade tropical em ação, e que esta
dando muito certo”, frisa a expert em exportações.

PREMIUM

Citada por Edela, a Indaiá, com fábrica em Morro Reuter, na
Encosta da Serra gaúcha, ainda está numa
fase emergente das exportações de chinelos. Atualmente, a marca está presente
na Alemanha, Itália, Portugal, África do Sul, San Martin, Chile e Estados
Unidos. Da produção anual de 130 mil pares, cerca de 5% estão sendo exportados,
com perspectiva positiva de abertura de novos mercados.

A marca vem conseguindo abrir mercados através de presença
em eventos estratégicos, como na feira Micam e na Premium Exhibitions, em
Berlim, na Alemanha. Segundo a direção da empresa, o visual das pedras e as
estampas com design e brasilidade ajudam na conquista de novos clientes. Para
2020, a tendência é de crescimento, com novos representantes na Espanha, França
e Alemanha.

PIONEIRISIMO E CONSTÂNCIA

O processo de internacionalização das Havaianas foi fundamental
para abertura desse mercado dos chinelos brasileiros no exterior. Foi um passo
afirmativo, inclusive, reconhecido por outras empresas concorrentes. Contudo,
foi preciso competência de cada empresa para conquistar clientes e expandir os
negócios. “Cada indústria montou suas estratégias, estabeleceu seus canais de
vendas e foi criando condições próprias. Estamos falando de pioneirismo e
constância”, aponta o diretor de Exportação da Grendene, Alexandre Gastaldello.

Nessa viagem no tempo na busca de elementos que afirmam os
chinelos como embaixadores do Brasil pelo mundo, a trajetória de Ida Catharina
Fabro merece um destaque. Ela atuou como gerente de Exportação da Grendene de 1981
a 2008, e conhece como poucos o processo de internacionalização da marca. “Na
própria Grendene, onde iniciei meu trabalho na área, já havia, no ano de 1980,
uma exportação de cerca de um milhão e meio de pares para Argentina e Paraguai.
Era exportação, mas era mais um trabalho de vendas do mercado interno para as
fronteiras vizinhas do que um trabalho de exportação propriamente dito”,
explica.

Segundo Ida, em 1982 teve início um trabalho forte de
prospecção de mercados, primeiro nos países da América Latina e depois na
África. “O trabalho foi duro, mas com bons resultados, principalmente em
Angola, Moçambique e África do Sul”, relembra. Mas ela faz uma ressalva. “Nessa
época não eram chinelos e, sim, sandálias, e as marcas eram Melissa e Karina,
entre outras. Lembro de um ano (1985 ou 1986) que vendemos um milhão de pares
somente em Angola”, destaca.

Assim, gradativamente, as exportações foram se consolidando.
“No final dos anos 1980 o mercado da Europa também começou a ser prospectado
para chinelos e sapatos de plástico. Logo surgiu a linha Rider que nos
ajudou a abrir alguns mercados, principalmente em alguns países no leste
europeu e na Alemanha”, conta, numa vinculação ao que ocorreu na Hungria, por
exemplo. “Mas não foi fácil vender chinelos de plástico na Europa. Muito
trabalho e perseverança! Havia a constante melhoria. E o produto da Grendene
sempre foi superior em qualidade, tecnologia e design aos oferecidos pelos
concorrentes que se encontravam no mercado na época”, conclui Ida Fabro.

MAIS DE UM SÉCULO

A produção de calçados no Brasil ultrapassa muito mais de um
século. Visitando os primórdios desse trabalho, será possível identificar que
as origens estão vinculadas aos antepassados dos chinelos. Novo Hamburgo,
considerada a Capital Nacional do Calçado, se desenvolveu a partir do trabalho
dos imigrantes alemães. Eles aprenderam a trabalhar com o couro, como
verdadeiros artesãos.

Com limitadas condições de trabalho, eles precisaram
desenvolver algo para proteger os pés de todos os colonos, até para suportar a
geada do campo, a neve do inverno e o barro das estradas. Dessa forma, com suas
habilidades, eles criaram os famosos tamancos de couro e/ou madeira. Tiveram de
buscar soluções com ferreiros, curtidores e outros trabalhadores. Dessa forma,
sugiram os Holzschlappen (tamancos de
madeira) e os Lederschlappen (tamancos
de couro).

Ao longo da história, outros episódios envolvendo chinelos e
sandálias são marcantes, como os icônicos embarques de sandálias Franciscano,
que saíram do Vale do Sinos para fazer sucesso na Europa. Na década de 1970, o
empresário Claudio Strassburger chegou a apostar que o Brasil se tornaria o
maior exportador de calçados do mundo, impulsionado pelo movimento efervescente
que ocorria, principalmente na região de Novo Hamburgo e Campo Bom.

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Em 2019, Brasil permanece na quarta posição entre os
produtores mundiais de todos os tipos de calçados, atrás de China, Índia e
Vietnã. É o maior produtor do Ocidente. Mais de um século depois dos Holzschlappen e dos Lederschlappen, é através de chinelos e sandálias que
muito desse resultado vem sendo reafirmando.

É uma história que passa por várias gerações envolvendo
solados, tiras, cores, estampas, pedrarias e enfeites. Nos pés de cidadãos do
mundo inteiro, estão os desejados embaixadores da moda, do estilo e do jeito de
ser dos brasileiros.


20 PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DE CHINELOS*

Paraguai | América do Sul – 8,9%

Colômbia | América do Sul – 8%

Filipinas | Ásia – 7,1%

França | Europa – 6,7%

Austrália | Oceania – 6,0%

Estados Unidos | América do Norte – 5,5%

Cuba | América Central – 3,9%

Israel | Ásia – 3,6%

Peru | América do Sul – 3,6%

Bolívia | América do Sul – 3,1%

Argentina | América do Sul – 2,9%

Bélgica | Europa – 2,6%

Angola | África – 2,3%

Mianmar | Ásia – 1,9%

Espanha | Europa – 1,9%

Indonésia | Ásia – 1,6%

Tailândia | Ásia – 1,6%

África do Sul | África – 1,6%

Itália | Europa – 1,5%

Coréia do Sul | Ásia – 1,3%

* Números de 2018


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